Deputados propuseram um projeto de lei que pode classificar como antissemita quem faz críticas a Israel. A proposta tem apoio de um espectro político que vai de Tabata Amaral a Kim Kataguiri.

    O projeto não cria novos crimes, mas pode influenciar a interpretação da legislação atual sobre racismo.

    A iniciativa foi apresentada na Câmara dos Deputados e busca definir o conceito de antissemitismo no Brasil com base nos parâmetros da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA).

    O texto levanta um debate sobre possíveis impactos na liberdade de expressão.

    A proposta reúne apoio de 45 parlamentares de diferentes partidos. Além de Tabata Amaral (PSB-SP) e Kim Kataguiri (União-SP), inclui Heloísa Helena (Rede-RJ) e deputados do PT, como Reginaldo Lopes (MG).

    O projeto classifica o antissemitismo como forma de racismo e estabelece que essa definição deve orientar políticas públicas nacionais.

    Entre os pontos centrais, prevê que manifestações antissemitas podem ter como alvo o Estado de Israel, “encarado como uma coletividade judaica”. Isso abre margem para que críticas ao país sejam enquadradas como antissemitas, dependendo da interpretação.

    Embora o projeto ressalve que críticas a Israel semelhantes às dirigidas a outros países não devem ser consideradas antissemitas, a proposta adota como referência exemplos da IHRA. Esses exemplos serão usados para orientar interpretações sobre o tema.

    Isso tem gerado debate sobre os limites entre crítica política e discurso de ódio.

    O projeto não cria novos tipos penais, mas vincula o tema à Lei do Racismo. Isso pode influenciar a aplicação da legislação já existente.

    Na justificativa, os autores afirmam que a medida busca dar mais clareza às políticas públicas. Eles reforçam que o objetivo não é restringir o debate político, que deve ser preservado dentro dos limites constitucionais.

    A notícia foi publicada por CartaCapital em 30 de março de 2026, às 14h48.

    Cristina Leroy Silva

    Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados.