A série Euphoria retornou ao ar neste domingo, 12 de abril, sendo considerada por uma parcela da crítica como descaracterizada e mais vulgar do que em temporadas anteriores. A produção, que narrava as agruras da adolescência, adotou agora um tom que remete a um faroeste, abordando de forma considerada rasa temas como narcotráfico, prostituição e o sonho americano.

    A volta da série acontece mais de quatro anos após o final da segunda temporada, exibido em fevereiro de 2022. Com apenas 18 episódios lançados em cerca de sete anos, Euphoria se consolidou como uma das produções mais influentes do período, responsável pelo estrelato de vários de seus atores e vencedora de nove prêmios Emmy. No entanto, seu ritmo de produção contrasta com outras séries de sucesso da HBO, conhecida por produções longevas.

    Zendaya retorna como Rue, agora uma jovem adulta que ainda luta contra o vício. Para pagar uma dívida antiga, ela atua como mula de drogas, cruzando a fronteira entre México e Estados Unidos. Essa nova dinâmica afasta a série de sua essência inicial de história de amadurecimento, transformando-a em uma narrativa sobre a busca por dinheiro.

    Enquanto isso, outros personagens seguem caminhos distintos. Cassie, interpretada por Sydney Sweeney, planeja iniciar uma carreira na plataforma OnlyFans, movida pelo desejo de atenção e por um estilo de vida luxuoso ao lado do marido, Nate (Jacob Elordi). Nate, por sua vez, tenta administrar os negócios imobiliários da família e conter os impulsos da esposa.

    Lexi (Maude Apatow) busca oportunidades como assistente de direção em Hollywood, sob a tutela de uma figura poderosa vivida por Sharon Stone. Maddy (Alexa Demie) trabalha com relações públicas, e Jules (Hunter Schafer) aguarda por um avanço em sua carreira artística, sustentando-se temporariamente por meio de um relacionamento com um homem mais velho.

    Os elementos centrais da trama continuam a ser dinheiro, drogas, aparências e sexo, temas já presentes desde a primeira temporada. Contudo, a magia que caracterizava os episódios iniciais, presente nos visuais, nas situações exageradas e em sequências cinematográficas marcantes, parece ter se dissipado.

    A crítica aponta que, cinco anos depois na linha do tempo da série, os personagens não habitam mais um universo coeso e encantado. O escopo da narrativa parece difuso, como se as histórias fossem continuadas por obrigação, e não por uma necessidade criativa. Onde antes havia um certo encantamento, agora predomina uma vulgaridade considerada pouco surpreendente.

    Cenas com nudez, violência e elementos escatológicos são avaliadas como possuidoras de pouco estofo emocional, falhando em provocar o impacto que o diretor e roteirista Sam Levinson aparentemente almejava. As personagens são vistas como carentes da humanidade exibida em episódios aclamados, como o especial pandêmico focado em Jules.

    O resultado, segundo a análise, é uma história que reúne gângsteres e prostitutas sob o sol da Califórnia, conectados por reflexões superficiais sobre fé e capitalismo. A essência de Euphoria estaria perdida, restando uma impressão que, para alguns, se assemelha a uma missão mal elaborada de um jogo como Grand Theft Auto.

    A produção da nova temporada foi marcada por perdas no elenco e na equipe, além de uma direção considerada descaracterizada e reviravoltas narrativas classificadas como bagunçadas e apelativas. A ausência da personagem Kat, antes interpretada por Barbie Ferreira, é um dos elementos que contribui para a sensação de mudança no conjunto da obra.

    Cristina Leroy Silva

    Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados.