O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana, destinou R$ 3,6 milhões de emendas parlamentares à fundação ligada à Igreja Batista da Lagoinha. As informações são da coluna de Tacio Lorran no site Metrópoles.

    Os repasses foram realizados entre 2020 e 2023, por meio de emendas de relator-geral do Orçamento. O montante foi direcionado à Fundação João Leite, entidade mantida pela igreja. A fundação atua em projetos sociais em Minas Gerais.

    Carlos Viana é um dos parlamentares que estão à frente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investiga fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social. A CPMI foi instalada no ano passado para apurar suspeitas de desvios e irregularidades nos benefícios pagos pelo INSS.

    A investigação tem como foco um esquema que supostamente utilizava decisões judiciais para obter benefícios de forma indevida. A comissão já ouviu diversas testemunhas e requisitou documentos de órgãos públicos e empresas envolvidas.

    O senador Carlos Viana, do partido Podemos de Minas Gerais, nega qualquer irregularidade nas emendas destinadas à fundação. Ele afirma que os repasses foram feitos de forma legal e transparente, para projetos aprovados e dentro da finalidade pública.

    A Fundação João Leite informou que os recursos foram aplicados em programas de geração de emprego e renda, capacitação profissional e inclusão digital. A igreja à qual a fundação é ligada é uma das maiores do país, com sede em Belo Horizonte.

    A reportagem destaca que o uso de emendas parlamentares para entidades religiosas é permitido pela legislação, desde que os recursos sejam empregados em ações de interesse público. A prática, no entanto, costuma gerar debates sobre a separação entre Estado e igreja.

    Outros parlamentares também são investigados na CPMI do INSS por supostas ligações com o esquema de fraudes. A comissão deve durar até o fim do ano, com a expectativa de concluir os trabalhos e apresentar um relatório final com possíveis indiciamentos.

    Cristina Leroy Silva

    Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados.